
"Marés"


"Num fio de voz viajo por universos paralelos à minha consciência.
No turbilhão das dissonâncias, reencontro sorrisos alegremente sentidos,
Outrora vividos e perdidos para realidades esfumadas sem explicação.
Crivo a esperança no despontar da arsis melódica que antevê um lento repousar.
Escorrem-me lágrimas passadas pelo rosto perante a invasão polifónica que me derruba os
alicerces da sobrevivência terrena, trazendo ao pensamento gavetas bem guardadas das emoções.
Repouso em silêncio, numa longa e sustentada nota que espera pela resolução.
A cadência não tarda, e avidamente sinto a paz que me percorre o corpo contagiando a alma julgada perdida.
Na tesis do poema, descansam as memórias."
Joana
Ventos Cruzados
"Quebraram-se os laços de ingenuidade que nos ligavam.
Escorrem-me por entre os dedos, lágrimas de conformidade.
Sinto uma leve brisa que me sacode as asas, e avisto o mar com serenidade.
O cheiro de outras Primaveras esperança o meu voo,
Pairando por entre o céu de azul pintado.
Olho para trás mais uma vez…
Talvez um dia, as tempestades nos levem a descansar no mesmo ramo, como outrora o fez."
Jancsi