terça-feira, 6 de setembro de 2011



Caminhos III

"As estradas repetem-se...
Alguma são esperança na descoberta, outras apenas servem de passadeira rolante à rotina dos dias que passam.
Asfalto ou terra batida, itinerários principais ou caminhos secundários.
Sobre as rodas que veiculam a sobrevivência, diferentes caminhos são escolhidos.
Variam as emoções, as paixões, e a sede que faz olhar o horizonte de frente.
E em dias de distracção, deixamos escapar o Amor ali ao lado."

Joana

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Oitavo Mês


"E chega ao fim mais outro Agosto...
Olho para o dia chuvoso que se pôs, e sinto um sabor a fel na boca.
Diluem-se os sonhos eternamente adolescentes que sempre renascem nesta diversidade de vivências, misturando-se com a múltipla paleta de cores que por aí esvoaçam.
Ai esse Agosto, que parece que se faz desgosto!
Efemeridade que se esvai por entre os dedos na caducidade de algumas folhas que já se deixam desmaiar.
Vai-se o Agosto, e com ele o eterno bom gosto das conversas ao luar.
Vale-nos o suor das colheitas que já se antevêm, e com ele o cheiro do mosto que nos faz à terra enraizar."

Joana Castro

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Uma Mensagem



"A Vida é feita de encontros...E desencontros. (Acrescento num sussurro).
Na energia que move os ciclos da natureza encontro o instinto de sobrevivência, que delinea a nossa construção humana.
A nossa efemeridade traduz-se numa transformação intemporal da matéria, permitindo uma comunhão dos elementos.
Contemplo, e lanço ao vento os sonhos que me comandam os passos e os segredos mais íntimos que guardo comigo, esperando que o horizonte traga consigo mensagens de conforto e de coragem das estrelas que povoam o universo.
O amor do Sol pela Terra e pelo mar serena-me o coração,
abraçando o mundo e as pessoas com a alma de um poeta."


Joana


quinta-feira, 7 de julho de 2011

Caminhando

"O caminho faz-se caminhando..."
Ouço enquanto por aí caminho, trilhando os meus passos na terra batida.
Acompanha-me o balançar das folhas rastejantes ao sabor do vento, e o doce cumprimentar dos pássaros da estação.
Subitamente, um estrondoso trovão assusta os meus ouvidos e o meu coração! Acalma-me a força da chuva que agora cai libertando o cheiro a terra molhada.
Abrigo-me numa copa frondosa da árvore mais sábia do caminho. Espero, e admiro o momento.
A chuva pára. Espero mais um pouco com receio do inesperado.
Olho para o céu, respiro profundamente sentindo o ar pleno, e volto a andar.
Recomeçando o meu trilho, dou por mim a pensar que a vida é mesmo assim. Uma constante surpresa, mas sempre pronta a voltar a abraçar-nos no seu ciclo.
"Olá!" - digo sorrindo para um pintassilgo colorido...


Joana Castro

quinta-feira, 2 de junho de 2011

"Joaninha"


Na fragilidade humana se encontra a simplicidade da vida.
O orvalho da manhã é a esperança da nossa pequenez.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

"Marés"


"Marés"

Sentada em frente ao mar lavo a alma
que me dói da sujidade humana.
Pergunto a Neptuno quem virá do horizonte.
A resposta tarda.
(A maré está a baixar...)
Como se o tempo fosse apenas uma palavra,
mergulho na espuma branca que beija a areia num leve rebentar.
O cheiro a maresia é sabão para o meu corpo.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Pedaços


Somos feitos de pedaços. (Ou talvez memórias.)
Pedaços que sempre fizeram parte de nós e nos fizeram acompanhar ao longo da vida, pedaços que fomos vivendo, guardando, adquirindo, mas que no fundo são pedaços de outros.
São peças soltas, pensamentos partilhados, que por qualquer razão naquele momento decidimos guardar no cantinho da nossa bagagem, como se tratasse de um baú onde arrumamos os objectos que julgamos um dia vir a precisar.

E por vezes esse momento chega! (Como o dia em que reabrimos o baú das coisas velhas para procurar o brinquedo tão querido, ou o descobrimos por acaso num dia de arrumações, para nossa bela surpresa.)
Os pedaços até então desconhecidos, indiferentes no nosso caminho, mas guardados por acaso no nosso baú, passam a ter um lugar na nossa vida, encaixando no puzzle incompleto e até então desmembrado do presente.

Logo pensamos como a vida pode ser misteriosa...
Nesse instante, os fios soltos que vamos criando à nossa volta, dos nossos universos pessoais, quebram-se para logo se unificarem em laços maiores e mais estreitos.
E algures do lado do sonho e do perpetuar das memórias perdidas da nossa realidade, questionamos a nossa importância na vida das pessoas...

Joana