terça-feira, 24 de setembro de 2013


Amanhece



A paleta de cores surge no horizonte.
Num ambiente sideral, quase terreno, o astro renasce diariamente numa mestria volúvel perante a rotina a que o planeta nos confina.
A Natureza impõe sem arrogância a sua sensibilidade, na forma como nos faz viver dia após dia.
E, nesta humildade de conhecimento que se prostra perante nós, transcendem-se os pensamentos numa respiração mais plena.


Joana Leite Castro



segunda-feira, 23 de setembro de 2013



SOMBRAS



Acumulam-se pensamentos...
 Em caixotes de cartão antigo,
O cheiro ainda nos transporta numa viagem pelos sonhos ébrios de quem lê contos fantásticos sorvendo um copo de vinho.
Nesse mosto que foi trabalho árduo de alguém, todavia purgador de inquietações  perturbadoras da paz de espírito do homem comum, procuramos recuperar anamneses que esperançosamente nos permitam dar um sentido pleno à vida .
Um sentido humano e etéreo nos estilhaços que as nossas sombras espalham sob a massa amorfa circundante.

Joana Leite Castro

segunda-feira, 20 de maio de 2013


A primavera quente de outrora tarda.
Zangou-se a Mãe Natureza com o Deus das religiões pela leviandade do comportamento humano.
Este, que de vez quando somos nós, e noutros dias tu e eu olvidamos que esta casa é de todos.
Até lá, florescem as tulipas em tons violeta, anunciando um prematuro luto da sua condição.

quinta-feira, 3 de maio de 2012




"Abril Águas Mil"








Esta Primavera traz no bolso
 um inverno tardio,
e consigo o frio 
da chuva que cai lá fora.
Também eu, no bolso do meu casaco,
trago um cansaço em lembrança,
de quem procura, 
com esperança
alcançar uma nova esfera deste ciclo
de espera.


Joana

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Conversas Cruzadas



"Era o tempo das amizades visionárias (...)" disse-me uma vez Sophia...


Numa tarde onde a Primavera surgia como a de Caeiro, e as Folhas Caídas voavam ao leve sabor do vento, partilhava leituras com Fernando Pessoa. Alertava-me este em jeito de fado e com letra de Ricardo, aristocrata subentenda-se, que "Somos quem somos, e quem fomos foi coisa vista por dentro."  
 Ficaram-me as palavras no pensamento, na alma. 
Contudo, há "palavras que nos beijam" e que nos arrebatam no silêncio, neste vazio que as pessoas deixam quando insistem em bater com a porta. Deixam apenas a ausência. Mas a ausência, ao jeito adocicado de Drummond, é "Um estar em mim (...)" e isso "ninguém a rouba mais de mim". 
Lembrou-me uma daquelas canções de Jobim, que embalam qualquer um no cantar do violão, aquecendo o coração.
Olho as horas...
O tempo, esse fez-se tarde se pensarmos no passado. 
Mas, nas realidades paralelas, o tempo não existe.


"Quem és tu Romeiro?"
"Ninguém!"


(...)


Joana Castro

quarta-feira, 21 de março de 2012

"Noutra Primavera"


Admiro os campos que me enchem o olhar florido,
sentindo que noutra Primavera tudo fez sentido.


Joana Castro

quinta-feira, 15 de março de 2012

"No teu abraço"

És feito de sinceridade,
da mesma verdade que faz nascer
o mundo todas as manhãs
impulsionando o ciclo da natureza.
Nessa mesma pureza,
abraças a humanidade
com a beleza de quem olha o semelhante
no melhor da sua existência.
E nessa adolescência consciente,
de quem ama o mundo
por inteiro,
mostras a qualquer companheiro
de jornada o prazer de viver
intensamente, de alma e coração
presente.
Na tua mão,
guardas a energia amada da terra nascente,
e no teu abraço o calor do sol e do vento
trazendo consigo e sempre a tempo
a alegria e amizade de um sorriso.


Joana Castro