quarta-feira, 21 de março de 2012

"Noutra Primavera"


Admiro os campos que me enchem o olhar florido,
sentindo que noutra Primavera tudo fez sentido.


Joana Castro

quinta-feira, 15 de março de 2012

"No teu abraço"

És feito de sinceridade,
da mesma verdade que faz nascer
o mundo todas as manhãs
impulsionando o ciclo da natureza.
Nessa mesma pureza,
abraças a humanidade
com a beleza de quem olha o semelhante
no melhor da sua existência.
E nessa adolescência consciente,
de quem ama o mundo
por inteiro,
mostras a qualquer companheiro
de jornada o prazer de viver
intensamente, de alma e coração
presente.
Na tua mão,
guardas a energia amada da terra nascente,
e no teu abraço o calor do sol e do vento
trazendo consigo e sempre a tempo
a alegria e amizade de um sorriso.


Joana Castro



quinta-feira, 8 de março de 2012

"Hoje somos Três"

Hoje não me sinto...
Olho-me do outro lado do espelho,
gritando ao meu ser que se mexa.
Tenho cá para mim
que é um útil conselho
a seguir, para me fazer sorrir
perante o ciclo da natureza.
Assusta-me a clareza
que o meu outro,
tem acerca do meu interior,
esse que por vezes me enche de dor!
Física, entenda-se,
mas o suficiente para me tirar todo
o fervor de dançar com amor
perante a pureza
dos momentos.
Tenho cá para mim,
que o meu outro se ri
assim, de gozo,
do meu enfezamento
que me tolda o discernimento
de gostar de ti
e de todos ou outros.
Acho que comi algo
que me anda a fazer mal,
ou se calhar é da falta de sal
para equilibrar esta carcaça.
Às vezes, em jeito de graça,
falamos das vísceras
que nos consomem o esqueleto
e que não são mais que más bichas.
Resolve-se tudo
com um daqueles remédios.
Já antigos, e horríveis,
mas pelo menos arrumam com os tédios
tontos desta sociedade volátil
na sua forma de sobreviver.
Falo assim,
porque hoje não me sinto.
Fixo-me nos olhos
e digo que sim,
que está na hora de correr,
pelo que quero ser,
e sonhar com vontade.
Ao fim de contas,
ou em boa verdade,
somos sempre dois
que habitam a mesma morada.
Mas há dias como hoje,
em que eu me sinto cansada,
e que tenho de fingir
que não é nada,
para descansada poder dormir.
Hoje não estava em mim,
mas amanhã é um novo dia
para poder sorrir.


Joana Castro





domingo, 26 de fevereiro de 2012

"No dia em que te conheci"

No dia em que te conheci
O sol nasceu frio mas brilhante.
Aqueceu na sua rotina os rostos enregelados 
de um inverno sem esperança, mas pronto na mudança 
para dias menos complicados.
No dia em que te conheci
senti em mim a criança 
no desconcertante nervosismo
ainda sem consciência sentido, 
mas hoje uma presente lembrança.
No dia em que te conheci
e que para ti sorri,
nada antevia que por ti eu já sentia
o que me hoje me leva a recordar 
o que em ti eu queria amar.
No dia em que te conheci
já era noite.
O luar pintava o negro céu
espelhando a serenidade
de um abraço e do beijo teu.
Na noite em que te conheci 
eu sorri.
Sorri com uma profundidade
sincera de quem viu em ti
o meu sonho, uma quimera.
No dia em que te conheci, 
A lua nasceu fria mas brilhante
e assim eu me senti...




Joana


segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

   Círculos




O cansaço apodera-se do meu corpo e adormeço sem a consciência  do descanso.
Viajo por pensamentos e sonhos que guardo comigo, pensando para com o meu sono que o som das pedras a bater no charco é mesmo reconfortante. A natureza surpreende-nos sempre na sua simplicidade.
"E que dia tão lindo que se fez aqui na serra."
"Oh, que círculos tão bonitos sobre a água! Já viste?
É a tua vez de atirar. (...) Olha! Juntaram-se..."
Digo eu no meu sonho-pensamento que advém do pensar enquanto sonho. Misturam-se os ciclos com os círculos e dou por mim e a perguntar-te se as coincidências existem. 
"Achas que os círculos se juntam ao acaso?"
A nossa vida é mesmo um círculo ou uma grande esfera que encerra em toda a sua área os muitos círculos que vão formando a nossa vida, a nossa história. (Penso para comigo).
Dia após dia, algumas linhas outrora tracejadas unem-se, fechando um círculo que completa esta esfera. Outras, vão-se desvanecendo para formarem círculos maiores.
E é assim a circunferência da vida, uma coincidência em muitos dos nossos dias.
Será que alguém vai atirando as pedras lá em cima, para novos círculos se formarem, abraçando mais humanidade nesta esfera terrestre?
São algumas perguntas que me assolam nestas coincidências ou apenas circunferências quotidianas.
"Achas que os círculos se juntam ao acaso?"
Pergunto-te no meu pensamento sonhado, mas o desconforto do sofá faz-me despertar o descanso e interrompo o sonho pensado.
Não ouço a tua resposta...Vai continuar a pairar no ar. 
Resta-nos a transparência da água ao cair no riacho e no embalo sonolento desta canção que bate na janela.
(...)
"Que voz bonita! De quem é?"
"Parece a Chuva..."


Joana

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Ponto de viragem


"Quão estranho pode ser o Homem.
Tem por vício usar apenas um dos sentidos.
A visão, ou o olfacto, ignorando a ligação mágica que todos os outros trazem em conjunto.
Vê, mas apenas pelo seu sentido verbal.
Não vai mais além, penetrando a fundo na realidade dos sentidos, ouvindo o que a alma tem para dizer.
E assim, um dia após o outro, vive neste supérfluo sobreviver onde as pessoas são apenas máscaras.
Umas mais exuberantes que outras. Mais brilhantes, ou simples apenas.
As máscaras caminham, falam, pavoneiam-se, enfeitiçam,
toldando a plenitude da visão conjunta dos que se deixam levar pela literal acção do verbo.
E o sorriso simples e profundo que emana escondido ao nosso lado é esquecido, ou até ignorado!
A luz do verdadeiro sorriso, como todo o ciclo da Natureza, estará sempre pronta para renascer e brilhar num dia cinzento.
Quem sabe até poderá seguir o vento rumando a outros inícios.
Afinal, a alma estará sempre pronta para mais uma lua cheia,
E hoje é mais um dia..."





segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Curvas

"Nas curvas que fazem o caminho lanço 
os meus pensamentos ao vento 
e segredo à natureza as dúvidas 
que me assolam o coração.
Já  é tarde.
Mas para alguns já é bastante cedo.
Engraçado como o tempo, 
(que segundo os mais letrados até nem existe)
pode ser tão subjectivo.
E com esta do tempo também dou por mim
a distrair-me com os ramos que vão 
ornamentando o caminho e criando alguns 
ruídos por baixo do clássico.
É o grito do motor,  o tempo dizendo
ao tempo que se fez um temporal e que já
é tempo de  me despachar a tempo.
"Mas isto não traz sentido algum ao momento!"
Digo eu já em delírio falando com os Anjos 
que me vão acompanhando.
Começo a não resistir ao cansaço.
Os olhos pesam e por lapsos retirados
 a outras vidas adormeço acordada. 
Vivo momentos que não vivi
ou que sinto já ter vivido.
Falo com quem nunca conheci
mas que por momentos já ouvi.
(Aprendi a gostar de ti...)
Procuro respostas.
Foco a estrada, 
deixo-me levar .
Tudo parece uma eternidade, 
ou até segundo um Einstein 
uma fracção de uma onda de luz 
que cruzou o vácuo para iluminar
o caminho que trilho
através dos faróis redondos.
"É um clássico!"
Este turbilhão de sensações 
deixam-me embriagada
mas despertam-me do meu sono
latejante que acorda e
sossega o coração.
Nada é nada, 
tudo é tudo, 
mas tudo é nada, 
e o nada também  é tempo
que se faz tarde  e que se faz nada
quando nada fazemos dele!
"Este atalho parece nunca mais acabar!"
O vento sossega,
A estrela mais vagabunda da noite vai descansar.
O pano negro começa a clarear.
Já não penso em nada,
mas nada também é tudo,
e tudo pode ser o tempo, 
como o foi esta noite.
(...)
Já não preciso dos faróis.
A primeira aurora vai surgindo.
Desligo o carro.
Abro a porta e fecho os olhos..."

Joana