Ponto de viragem
"Quão estranho pode ser o Homem.
Tem por vício usar apenas um dos sentidos.
A visão, ou o olfacto, ignorando a ligação mágica que todos os outros trazem em conjunto.
Vê, mas apenas pelo seu sentido verbal.
Não vai mais além, penetrando a fundo na realidade dos sentidos, ouvindo o que a alma tem para dizer.
E assim, um dia após o outro, vive neste supérfluo sobreviver onde as pessoas são apenas máscaras.
Umas mais exuberantes que outras. Mais brilhantes, ou simples apenas.
As máscaras caminham, falam, pavoneiam-se, enfeitiçam,
toldando a plenitude da visão conjunta dos que se deixam levar pela literal acção do verbo.
E o sorriso simples e profundo que emana escondido ao nosso lado é esquecido, ou até ignorado!
A luz do verdadeiro sorriso, como todo o ciclo da Natureza, estará sempre pronta para renascer e brilhar num dia cinzento.
Quem sabe até poderá seguir o vento rumando a outros inícios.
Afinal, a alma estará sempre pronta para mais uma lua cheia,
E hoje é mais um dia..."
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
Curvas
"Nas curvas que fazem o caminho lanço
os meus pensamentos ao vento
e segredo à natureza as dúvidas
que me assolam o coração.
Já é tarde.
Mas para alguns já é bastante cedo.
Engraçado como o tempo,
(que segundo os mais letrados até nem existe)
pode ser tão subjectivo.
E com esta do tempo também dou por mim
a distrair-me com os ramos que vão
ornamentando o caminho e criando alguns
ruídos por baixo do clássico.
É o grito do motor, o tempo dizendo
ao tempo que se fez um temporal e que já
é tempo de me despachar a tempo.
"Mas isto não traz sentido algum ao momento!"
Digo eu já em delírio falando com os Anjos
que me vão acompanhando.
Começo a não resistir ao cansaço.
Os olhos pesam e por lapsos retirados
a outras vidas adormeço acordada.
Vivo momentos que não vivi
ou que sinto já ter vivido.
Falo com quem nunca conheci
mas que por momentos já ouvi.
(Aprendi a gostar de ti...)
Procuro respostas.
Foco a estrada,
deixo-me levar .
Tudo parece uma eternidade,
ou até segundo um Einstein
uma fracção de uma onda de luz
que cruzou o vácuo para iluminar
o caminho que trilho
através dos faróis redondos.
"É um clássico!"
Este turbilhão de sensações
deixam-me embriagada
mas despertam-me do meu sono
latejante que acorda e
sossega o coração.
Nada é nada,
tudo é tudo,
mas tudo é nada,
e o nada também é tempo
que se faz tarde e que se faz nada
quando nada fazemos dele!
"Este atalho parece nunca mais acabar!"
O vento sossega,
A estrela mais vagabunda da noite vai descansar.
O pano negro começa a clarear.
Já não penso em nada,
mas nada também é tudo,
e tudo pode ser o tempo,
como o foi esta noite.
(...)
Já não preciso dos faróis.
A primeira aurora vai surgindo.
Desligo o carro.
Abro a porta e fecho os olhos..."
Joana
terça-feira, 6 de setembro de 2011

Caminhos III
"As estradas repetem-se...
Alguma são esperança na descoberta, outras apenas servem de passadeira rolante à rotina dos dias que passam.
Asfalto ou terra batida, itinerários principais ou caminhos secundários.
Sobre as rodas que veiculam a sobrevivência, diferentes caminhos são escolhidos.
Variam as emoções, as paixões, e a sede que faz olhar o horizonte de frente.
E em dias de distracção, deixamos escapar o Amor ali ao lado."
Joana
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
Oitavo Mês"E chega ao fim mais outro Agosto...
Olho para o dia chuvoso que se pôs, e sinto um sabor a fel na boca.
Diluem-se os sonhos eternamente adolescentes que sempre renascem nesta diversidade de vivências, misturando-se com a múltipla paleta de cores que por aí esvoaçam.
Ai esse Agosto, que parece que se faz desgosto!
Efemeridade que se esvai por entre os dedos na caducidade de algumas folhas que já se deixam desmaiar.
Vai-se o Agosto, e com ele o eterno bom gosto das conversas ao luar.
Vale-nos o suor das colheitas que já se antevêm, e com ele o cheiro do mosto que nos faz à terra enraizar."
Joana Castro
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
Uma Mensagem"A Vida é feita de encontros...E desencontros. (Acrescento num sussurro).
Na energia que move os ciclos da natureza encontro o instinto de sobrevivência, que delinea a nossa construção humana.
A nossa efemeridade traduz-se numa transformação intemporal da matéria, permitindo uma comunhão dos elementos.
Contemplo, e lanço ao vento os sonhos que me comandam os passos e os segredos mais íntimos que guardo comigo, esperando que o horizonte traga consigo mensagens de conforto e de coragem das estrelas que povoam o universo.
O amor do Sol pela Terra e pelo mar serena-me o coração,
abraçando o mundo e as pessoas com a alma de um poeta."
Joana
quinta-feira, 7 de julho de 2011
Caminhando"O caminho faz-se caminhando..."
Ouço enquanto por aí caminho, trilhando os meus passos na terra batida.
Acompanha-me o balançar das folhas rastejantes ao sabor do vento, e o doce cumprimentar dos pássaros da estação.
Subitamente, um estrondoso trovão assusta os meus ouvidos e o meu coração! Acalma-me a força da chuva que agora cai libertando o cheiro a terra molhada.
Abrigo-me numa copa frondosa da árvore mais sábia do caminho. Espero, e admiro o momento.
A chuva pára. Espero mais um pouco com receio do inesperado.
Olho para o céu, respiro profundamente sentindo o ar pleno, e volto a andar.
Recomeçando o meu trilho, dou por mim a pensar que a vida é mesmo assim. Uma constante surpresa, mas sempre pronta a voltar a abraçar-nos no seu ciclo.
"Olá!" - digo sorrindo para um pintassilgo colorido...
Joana Castro
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